sábado, 21 de março de 2009

O primeiro a gente nunca esquece

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Primeiro concurso profissional (apesar de ainda ser estudante). Já tinha feito um de estudantes em que não ganhamos nada. Tudo isso para marcar a volta do anteprojeto(s).

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dead and life of lovely são paulo's neighborhoods


Há algumas semanas trabalho em um pequeno galpão na Vila Romana, um bairro que não conhecia direito. Ruas tranqüilas, mercearias, pequenos restaurantes, uma praça com um teatro, gente andando nas ruas. Tudo isso perto do centro, com várias linhas de ônibus e a uns 2kms do SESC Pompéia.

Pois bem.

No próximo fim de semana nós - e os outros dois escritórios de arquitetura que dividem o galpão conosco - iremos nos mudar. Fomos despejados porque nosso singelo caixote de tijolos de barro foi vendido (junto com o vizinho) para uma incorporadora construir um prédio - provavelmente - parecido com o da foto. Não são os primeiros. Há poucos anos as incorporadoras descobriram a Vila Romana e estão transformando o tranqüilo bairro paulistano de classe média-baixa em um paliteiro de fachadas amarelas, grades triplas, colunas, arcos, cornijas e moradores... enfim, deixa os moradores pra lá!

Descanse em paz Vila Romana! Nós sentiremos saudades.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cidade no cio


"São Paulo é uma cidade no cio. Por isso, transa com todo mundo e em todos os lugares. É bonita porque é feia, e como toda feia que se preza, beija mais gostoso." Sérgio Vaz, escritor e autor do blog Colecionador de Pedras

Não sei, mas vejo uma verdade que incomoda e instiga nessa frase.

Talvez pela falta de maravilhas naturais estonteantes (complexo de irmã mais bonita, a carioca) ou de um tecido urbano conscientemente planejado, constituído e preservado (como a irmã mais portentosa, a portenha), que esta cidade precise ser vivida, experimentada em seus paradoxos e contrastes, para ser descoberta e valorizada.

Ela precisa "beijar mais gostoso" para que os pré-conceituosos, atraídos primariamente por uma bela paisagem ou belos edifícios, sejam cativados pelo que ela oferece na sua alma: uma vida cultural, noturna, recreativa e social mais intensa do que as aparências podem transmitir.

E ela "transa com todo mundo" porque parece absorver antropofagicamente tantas influências, locais ou estrangeiras, e devolver de uma maneira bem paulistana o resultado, dando à luz a novas vidas, ao longo desse cio ininterrupto.

Depois de uma longa entressafra de postagens, deixando o papel ao meu colega, e à vespera de escrever a partir de outra metrópole interessantíssima, sinto-me cada vez mais inebriado pela energia que pulsa ininterruptamente nessa cidade, atento a peculiaridades e simplicidades do dia-a-dia, esperando perceber com sentidos ainda mais apurados a vida em Berlin.

PS: ficará uma vontade de poder acompanhar a série estreante na HBO, Alice, que vai mostrar justamente essa face da cidade.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Pensar e fazer, pesquisar e desenhar

foto: Valerie Bennett  Architectural Association


Esta semana o Fernando Lara, em seu Parede de Meia, nos reportou sobre sua participação numa conferência em Oxford sobre o ensino de arquitetura no mundo. Os debates do encontro partiam de uma provocação: "Architecture would be better off without schools of architecture" - algo como "A arquitetura estaria melhor sem as escolas de arquitetura". Em sua apresentação - devidamente resumida no blog - Fernando defende em primeiro lugar a existência das escolas, e coloca uma posição partilhada por vários arquitetos-professores com quem já conversei, que coloca o atelier como espinha dorsal do ensino de arquitetura. E vai além, em dizer que a "pesquisa científica pode e deve ser jogada dentro do studio para apoiar em sólidas fundações o processo criativo.". Para concluir, Lara alerta: "o imperativo da sustentabilidade me parece ser a última chance de costurarmos pesquisa e projeto no ensino de arquitetura.".

Pois bem. No encontro de blogueiros lembro de termos conversado sobre uma onda corrente no Brasil e no mundo, que é a contratação de professores de arquitetura em regime de dedicação exclusiva. Meu comentário no post começou da seguinte forma: "A tal dedicação exclusiva que você tanto critica é no meu ver uma faca de dois gumes. Por que? Por um lado ela cria uma classe de professor que supostamente terá suporte financeiro e acadêmico para desenvolver pesquisa acadêmica. Por outro, e aí eu concordo com você, obriga o arquiteto a se ausentar da prática profissional - mundo real - em que ele terá seu escritório, prestará consultoria, tocará obras ou servirá alguma empresa ou governo. Assim, como que um professor pode ensinar uma profissão sem exercê-la plenamente?"

Voltando os olhos para a minha escola, fica clara essa faca de dois gumes. O Mackenzie só passou a promover pesquisas acadêmicas quando, há poucos anos atrás, criou-se duas classes de professores além dos contratados apenas pelas horas/aula. São os PPPs (30h/sem) e PPIs (40h/sem). Tais regimes obrigam o professor - a grosso modo - a cumprir metade de suas horas em aulas regulares e outra metade em pesquisas acadêmicas-científicas, atividades de extensão ou administrativas. Com isso professores e universidade costuram um compromisso profissional para produção de conhecimento acadêmico além do básico da sala de aula o que, em teoria, incrementa qualidade no ensino.

O Mackenzie sempre foi conhecido pelo pragmatismo traduzido na pesada carga horária em aulas de projeto. Este é um dos motivos que fez dele uma escola forte e até hoje forma arquitetos mais estruturados para o projeto. Ou seja, embora haja 25 grupos de pesquisa em arquitetura atuantes na escola, esta ainda é uma prática pouco difundida entre os seus estudantes. No meu comentário para o Fernando, coloco a dúvida: como que a pesquisa científica pode ser costurada ao projeto dentro do atelier?

A esmagadora maioria destes 25 grupos trata de temas ligados à história e à catalogação e análise de produções arquitetônica de diversos tempos. Poucos são voltados para a investigação tecnológica - que no meu ver tem uma ligação mais direta com o projeto. A questão principal, no entanto, é que muito pouco do que se produz nas pesquisas chega ao aluno da graduação, dentro da sala de aula, do atelier. Por outro lado, o estudante que não está ligado a nenhum destes grupos geralmente não está instrumentado para essa investigação científica.

Com gerações e gerações de arquitetos pouco acostumados ao elo entre pesquisa e projeto, há uma forte tendência em segregar tais atividades dentro da escola. O reflexo já é visível na cidade e a produção acaba ressaltando o fazer, colocando em segundo plano o pensar. Seja na sustentabilidade ou não, tá na hora de percebermos no Mackenzie que o simples fazer não é mais suficiente para atender as solicitações para a arquitetura.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ovo x galinha (I)

Semana passada o Estadão publicou um texto do arquiteto Jorge Wilheim em um de seus editoriais que traz a tona para o grande público o que já se diz há tempos nos circuitos de arquitetos, nas faculdades e debates sobre a profissão: a pobre produção arquitetônica promovida pelo mercado imobiliário em São Paulo.

Segundo Wilheim, o mercado oferece "simulacro de paisagem urbana, simulacro da sociedade reduzida a condôminos, simulacro de cidade." e que "o mercado, mesmo usando sua mão escondida, (...) ainda não conseguiu apagar a lembrança de que a propriedade a ser vendida se situa numa cidade real, gerando um simulacro, exclusivo e excludente."

Vai além: "Ao percorrer a cidade, vejo, com espanto, o resultado disso: um descalabro arquitetônico, na profusão grotesca e gigantesca de fachadas sem caráter, uma acúmulo de mediocridade preenchendo a paisagem urbana, num completo descaso com a rua em que cada prédio se localiza, ao atulhá-la com trânsito que não pode suportar e uma seqüência de grades, muros, muralhas com guarita, por vezes parecendo-se com presídios. Expressão voraz e predatória do privado não-urbano, recusa da cidade e da vida societária, exclusão ostensiva de tudo o que é público, de todos."

Comenta, no entanto, que "Há, portanto, salvação possível." baseando-se na atuação minoritária "de empreendedores mais generosos e o trabalho sério de excelentes arquitetos". E conclui que temos que dar alguns passos para fugir da mediocridade:

"Do lado dos empreendedores - embora a lógica do sistema os leve a não se preocuparem com a cidade, e sim apenas com o lote -, tomar consciência de que o campo de ação de seu negócio ficará mais restrito e mais caro à medida em que, por sua ação predadora, ruas e bairros forem sendo destruídos." (...)

"Do lado dos arquitetos, estranho o silêncio obstinado das entidades de classe, dos críticos de arquitetura, da imprensa especializada."

Continua...

ovo x galinha (II)

Em resposta ao artigo de Jorge Wilheim, Mão escondida projeta arquitetura medíocre, publicado no Estadão em 02/07/08, o Secovi-SP coloca hoje uma resposta no caderno de variedades do jornal.

O Sindicato se mostra bastante ofendido com as afirmações de Wilheim e ataca: "Arroga para si a função de juiz, e condena os demais profissionais por pertencerem a uma lógica de 'não se preocuparem com a cidade.'"

O manifesto elenca ainda uma série de contraposições às colocações do arquiteto, sendo que a última chama muito a atenção, ao dizer que Wilheim "Esquece de citar que a legislação urbanística da cidade (na qual ele teve participação quando colaborou nos governos dos prefeitos Paulo Maluf, Celso Pitta e Marta Suplicy) cria inúmeros problemas na concepção de projetos imobiliários, a saber: a) espalhamento da cidade, aumentando a circulação de pessoas (leia-se trânsito carregado); b) baixa ocupação onde já existe infra-estrutura instalada; c) inviabilidade de projetos em pequenos terrenos; d) insuficiente foco na solução de ocupações clandestinas; e) dificuldade operacional para parcerias público-privadas; f) elitização dos projetos, com difícil viabilidade para habitação popular; g) excessiva complexidade, acarretando incerteza jurídica e dificildades para o funcionário municipal encarregado das aprovações.".

O Secovi-sp conclui assim: "Entendemos ser melhor a mão oculta da cidadania que manifesta sua opinião, por meio da participação efetiva e da livre concorrência, do que a mão visível do Estado a impor legislação urbana complexa e ultrapassada.".

***

Finalmente esta discussão vem a tona. Usando o maniqueísmo típico brasileiro, quem é o "vilão" da cidade: os incorporadores imobiliários, que com sua cegueira capitalista não se importam em construir uma cidade segregadora com edifícios mal desenhados, seguindo o puro interesse individual; os arquitetos, que de tão mal organizados não conseguem nem se posicionar frente às questões arquitetônicas e urbanísticas, quem diria então agir; o governo, burocrata e incompetente, que cria um plano diretor confuso, mal planejado e insustentável; ou os habitantes-consumidores, cuja ignorância e paranóia veneram edifícios neo-clássicos, empreendimentos com clube completo e segurança reforçada, mas que sofrem diariamente no insuportável trânsito da nossa cidade???

Ou....

Quem nasce primeiro? O ovo ou a galinha?

domingo, 6 de julho de 2008

Mudança de hábitos e contra partida




A Lei Seca na cidade de São Paulo ainda causa estranhamento de uma lei severa em um país pouco adepto a rigidez institucional. A restrição em si, em não permitir uma gota de álcool antes de dirigir e suas conseqüências penais podem ser exageradas. Talvez seja um exagero necessário para fazer uma lei dessa "pegar". Só que, como sempre, o governo aplica uma medida restritiva sem criar alternativas.

Acontece que aqueles que gostam de sair para beber com os amigos ou dividir um vinho com uma boa companhia ficam sem poder voltar para casa. O conselho moralista de "um da turma não beber" pode até funcionar, mas quem costuma fazer esse tipo de programa torce o nariz quando tem que ser o motorista.

Metrô, trem e ônibus deveriam ter seus horários operacionais repensados para atender a nova demanda boêmia. Só que a melhor alternativa quando queremos voltar para casa no final da noite é o taxi. Serviço muito utilizado em lugares civilizados ou nem tanto no mundo inteiro, aqui em São Paulo o taxi é um seviço que acaba sendo elitista por causa do seu alto custo.

Segundo o site da prefeitura, a cidade hoje tem cerca de 32.000 taxis licenciados, o que para o governo atende a demanda. Além disso o preço é tabelado pelo município, não restando muita flexibilidade a taxistas e passageiros. Assim, a contra partida mais razoável à Lei Seca deve ser repensar a situação deste serviço - o preço e o número de licensas - a fim de barateá-lo e popularizá-lo. Com mais taxis rodando a concorrência seria maior, o preço cairia e mais gente usaria, o que em determinada escala compensa uma perda inicial que os motoristas sofreriam com a queda de preço. E todo mundo poderia beber à vontade, voltar para casa sem aprontar no trânsito. Menos os taxistas.